5 contos de Machado de Assis para ler em setembro

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Embora permitam contatos com amigos e familiares, bem como a divulgação de informações e notícias importantes, as redes sociais nem sempre promovem uma interação de qualidade. São muitos os comentários agressivos e até mesmo criminosos na Internet. Às vezes, porém, surgem discussões curiosas, que, a despeito de seu grau de profundidade, merecem maior atenção. Uma delas ocorreu na semana passada, quando o Twitter foi o palco virtual para a seguinte polêmica: teria Capitu traído Bentinho de verdade? Além do nome das personagens, termos como “Machado de Assis”, “Escobar” e “Dom Casmurro” alcançaram os Trending Topics.

Naturalmente, essa é uma questão antiga e, em muitos sentidos, já superada pela crítica machadiana. Afinal, Dom Casmurro (1899) é um romance que apresenta mais camadas de significado que uma mera história de ciúmes e de traição. Observar tantos leitores falando sobre literatura brasileira é, contudo, sempre algo a se comemorar. Para aproveitar o interesse pela obra do bruxo do Cosme Velho, No Cenáculo lista cinco grandes contos do autor para serem lidos até o fim do mês. Além de romancista, Machado foi também um excelente contista, com diversos textos clássicos no gênero. Como as narrativas são, em geral, curtas, trata-se de uma leitura ágil e impactante!

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Obrigado, Crivella!

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A esta altura, a Bienal do livro é um assunto da semana passada, provavelmente já velho demais para atrair novos leitores. De fato, quase tudo foi dito sobre a censura do prefeito do Rio de Janeiro à HQ dos Vingadores com um beijo entre dois personagens. Penso, porém, que um aspecto da querela não foi contemplado adequadamente e, como detesto injustiças, resolvi adicionar mais um texto à lista dos tantos dedicados ao assunto. Eis a verdade: nós deveríamos agradecer a Marcello Crivella. Sim, agradecer, com um muito obrigado sonoro, sem deixar dúvidas do tamanho de nossa gratidão e de nossa humilde sinceridade. Não viremos esse capítulo da história sem a homenagem devida a quem tanto atraiu leitores. Esqueçamos os artistas, os críticos e os professores de literatura; o maior divulgador dos livros deste Estado é o nosso bispo licenciado da Universal. Se há alguém neste país que acredita na relevância e no potencial subversivo da leitura, este alguém é o alcaide carioca. Apenas uma crença inabalável no efeito persuasivo da ficção seria capaz de mover uma pessoa a tentar restringir a circulação de uma obra — e sabemos como o Palácio da Cidade é, atualmente, um local repleto de fé e, eventualmente, de despachos (oficiais, é claro).

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Decorridos 30 anos, Marisa Monte se mantém gigante

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Créditos: Midiorama

2019 é ano de celebração na MPB. Há 30 anos, a carioca Marisa de Azevedo Monte lançava seu primeiro CD. É certo que essa não foi exatamente a estreia da cantora, que já fazia shows concorridos no Rio de Janeiro e em São Paulo, capitaneada por ninguém menos que Nelson Motta, seu principal incentivador. Ainda assim, MM teve a força de apresentar Marisa Monte ao grande público e, por isso, o mês de janeiro de 1989, quando foi divulgado o álbum, mudaria a história da música brasileira, que viu nascer ali  uma das maiores cantoras nacionais de todos os tempos.

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5 séries investigativas com detetives

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Mistério, assassinato, ação são ingredientes importantes em séries de investigação. É colocar o espectador dentro de uma história cheia de perigos e lacunas a serem preenchidas. Por isso, nada melhor que assistir a produções que criam essa atmosfera com proeza e alto nível. Selecionamos cinco títulos, desde investigação policial baseada em fatos reais até detetive com abordagem holística, que vão deixar qualquer pessoa interessada e com aquela vontade de maratonar. Vale conferir!  Continuar lendo

A diversidade de gêneros em “Bacurau” revela o cinema e a sociedade brasileira atuais

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Bacurau (2019), novo longa de Kleber Mendonça Filho, ao lado do seu parceiro Juliano Dornelles, estreou no Brasil em meio a curiosidade que um vencedor do Prêmio Especial do Júri na principal mostra de Cannes cria, mas também imerso em expectativas sobre sua abordagem do sertão e suas interseções com o momento político brasileiro. Se Aquarius (2016) e O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho, já entrelaçavam suas histórias com questões sociais e políticas da capital pernambucana, Bacurau abraça essa característica ao se debruçar inteiramente no cinema de gênero, abrindo maiores sentidos e possibilidades de interpretação sem perder o cerne da ambientação e da memória do sertão brasileiro, grande protagonista da obra. Continuar lendo

Misturando ficção e homenagens sutis, “Yesterday” imagina um mundo sem os Beatles

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Imaginar como seria o mundo se os Beatles não tivessem existido é o ponto de partida para o criativo Yesterday (2019). Dirigida por Danny Boyle — ganhador do Oscar pelo excelente Quem Quer Ser um Milionário? (2008) —, a comédia romântica protagonizada por Himesh Patel traz ares leves e divertidos a um gênero que perdeu espaço nos grandes circuitos ao longo das últimas décadas. No filme, Patel interpreta o músico e compositor Jack Malik, que, frustrado por não ver sua carreira deslanchar após anos de trabalho, pensa em desistir do sonho do estrelato. Entretanto, tudo muda quando o músico, durante um misterioso “apagão” que deixa todo o planeta no escuro por pouco mais de dez segundos, sofre um acidente e desperta em uma realidade alternativa, na qual o grupo britânico nunca existiu, e ele é o único indivíduo que se lembra das icônicas músicas do quarteto de Liverpool. Ao assumir a falsa autoria dos grandes sucessos de seus ídolos, Jack fica mundialmente famoso e é obrigado a lidar com as consequências de sua fama repentina.  Continuar lendo